Bem vindos ao Adelós-Dêlos!

Ponto de discussões filosóficas de ouvintes do Lógos, recolhedoras do aberto...

... porque o invisível (adelós) por vezes fica visível (dêlos), pela escuta do que se diz com uma palavra.



quarta-feira, 2 de abril de 2008

O medo de se pensar em Deus.

Estive algumas horas atrás numa rápida e intrigante conversa com alguns amigos. Seu assunto era comum dentre pessoas de todas as classes e religiões, obviamente com suas diferentes visões, abordagens e aceitações. Deus!
Sim, o assunto era exatamente este. Deus. O temido assunto entre seres que povoam a chamada academia moderna, ou pós-moderna, se for mais adequado.
A questão é que essa é sim uma eterna questão, que se mantém estagnada e estagnante.Tanto para os que não a discutem por seus dogmas e crenças particulares, quanto para os que simplesmente não "crêem". Seguindo esse raciocínio, digo que acreditar ou não em determinada coisa ou assunto, não deveria nos impedir de falarmos nele. Para dizermos sim ou não, precisamos antes acolher a dúvida, e muitas vezes permanecer com ela.
Darei aqui uma de psicóloga ou de qualquer coisa que se aproxime disso e direi que temos a triste mania de reduzir algo pra entendê-lo ou explicá-lo. Parece-me um consenso entre todos, que conceitos são conceitos e necessários. Mas até que ponto eles são realmente válidos e utilizáveis?
Voltando a questão inicial, o assunto surgiu a partir de uma aula em que o professor se prendeu um pouco na religião grega. Que é, sem dúvida, muito diferente da nossa. Nossa tradição cristã não veio da Grécia, ainda que Platão e Aristóteles povem o pensamento de alguns dos mais nobres nomes do cristianismo. Somos nesse aspecto, mais orientais.
Pensando sobre a religião grega, acabomos por fazer comparações ao que entendemos por religião. E ao fazermos isso, me dei conta de que pra quem não é religioso e/ou não acredita em Deus, a religião grega parece mais compreensível do que as que convivemos de longe ou de perto.
Percebi, através de alguns comentários, incluindo os que já ouvi por muitas vezes (unindo-os como num jogo de quebra- cabeças) que acreditar em Deus nos dias de hoje é ser taxado de limitado, alienado ou até mesmo alucinado. Como pode um homem em sã consciência, com tantos avanços tecnológicos acreditar em Deus? É quase um absurdo!
Dei-me conta, de que como existem as comunidades dos religiosos diversos pelo mundo afora, existem a dos não religiosos. Eles falam a mesma língua, a de não falarem em Deus. Onde essa questão, reduz-se a mera questão. Sendo o homem o seu criador, e não o contrário. Deve-se, "descriá-lo", ou melhor, ignorá-lo.
Pensar sobre a história das religiões, é realmente ver que não há consenso algum sobre qual a melhor maneira de se chegar a Deus, se é que ele realmente existe. Porém, para chegar n'Ele pode não ser preciso sair do lugar, atravessar qualquer porta, entrar em templo algum. Mas sim pensar... e pensar n'Ele é talvez se deixar levar pela possibilidade de sua existência, ouvi-lo com os olhos e vê-lo com os ouvidos. É perigoso pensar, pois damos brecha pra dúvida, pro sim e pro não. É fazer crítica da crítica, através de uma crítica particular.
E quem seria o primeiro dentre os "anti-Deus" a pôr em questão que assim como não há prova da veracidade de sua existência, não há também de sua inexistência? Quem ousaria sair do grupo dos que não falam e não pensam sobre isso? Quem se daria conta do tão óbvio que é separar religião de Deus? Quem seria humilde a ponto de se reconhecer como criatura de um criador racional, filho da razão e não pai dela? Quem se prontificaria a entender o fundamento das religiões antes de dizer que não fazem sentido? Quem se permitiria quebrar o pré- conceito?

sexta-feira, 7 de março de 2008

O intrigante pontapé.

Em continuação ao que talvez fale por si mesmo, proponho uma sequência do que de maneira alguma foi finalizado. Ao falarmos de todos os aspéctos da filosofia platônica, abraçamos a transcendentalidade que o fez estar tão próximo das idéias, e a ver o mundo sensível a partir delas. Não é que Platão efetivamente o tenha feito, pois já se mostrou no mínimo balançado por sua própria teoria nos diálogos posteriores. Mas quando digo aqui ser esta sua visão, me refiro ao exacerbado e desmedido platonismo.
Para começar, nota-se que Platão esteve um tanto quanto mobilizado pela sofística, e sem dúvida foi ela o motor inicial de seu pensamento. É bastante comum ouvir pessoas dizerem conhecer Platão como filósofo, mas aos sofistas não, pois eram homens de Política e foram, ainda que importantes, passageiros na história, o que dizer na filosofia?
Possuímos sua presença tão evidente em nossas vidas, que ironicamente a consideramos ausente. Vivemos ou não num tempo onde as pessoas possuem suas opiniões e maneiras particulares de ver o mundo onde vivem? Será que isso seria um momento onde não sabe-se nada, e/ou apenas cada um de nós pensa saber alguma coisa? O critério do conhecimento foi salvo por Platão, mas inicialmente problematizado pelos sofistas.
Antes do período que chamo aqui de sofístico, era mais comum na Grécia que o pensamento se voltasse para a religiosidade. O momento em que os sofistas colocaram suas palavras no mundo, foi um período de grandes transformações no pensar grego, o que para muitas pessoas tanto de hoje quanto de séculos atrás tratava-se de tolas tagarelices... Mas sem sombra de dúvidas, foi muito mais do que isso.
O que isso que necessariamente quer dizer? Que talvez selecionemos nosso pensamento pelas pré-seleções já feitas. Isso é um tanto problemático, pois nossas raízes de pensamento são muito importantes para compreendermos como chegamos aqui, ainda que elos se rompam e rumos se desfaçam. O quanto os sofistas foram e são importantes para nós é um assunto para depois, o que vale ressaltar aqui, é que eles estão em sócrates, Platão, céticos e principalmente nos racionalistas modernos. O que já é no mínimo curioso.
Talvez eu esteja apenas dizendo coisas sem sentido para muitos dos que vão ler esse texto, principalmente por estar falando de figuras tão desconhecidamente conhecidas e de dificil compreensão. O que me faz gastar tanto tempo em leituras sobre estes que para muitos não passaram de homens que falam bem, democratas antigos ou enganadores, não se resume em poucas linhas, mas o que posso dizer para que seja notada toda sua peculiaridade ( sem considerá-los em particular) é que eram poetas da razão. Seria isso possível?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Por que esperar por um novo ano?

Pensamos muito em uma "nova vida" ou novas mudanças no decorrer de nossas vidas. A virada do ano é um motivo pra tentarmos nos libertar daquilo que consideramos problemas e mesmo traumas. Somos levados por um espírito de renovação que nos torna mais esperançosos diante de um novo ano recontado a partir daquele tal dia 1° de janeiro que tantas vezes comemoramos. Isso quer dizer, que ao mesmo tempo em que buscamos renovação voltamos a um ponto de partida. Sim, um ponto de onde já estivemos, mas que ainda assim, estamos (novamente) pela primeira vez.
Cada ano merecidamente nos desperta novas esperanças, e é isso que nos faz renovar sentimentos e idéias já gastas pelos tropeços da vida. Por isso, é muito bom dar boas vindas ao novo ano e mais do que isso, saudar um novo-velho eu. Um novo que vem abrir novos caminhos, novas conquistas, novos sentimentos. Ora, os sentimentos também se renovam e se descobrem. Pensamos conhecer aqueles (sentimentos) que nomeamos, como amor, paixão, amizade, fraternidade... no entanto, não conseguimos explicá-los. Sentimos! Há também, aqueles que ao menos nomeamos, mas sem qualquer compreensão fazem parte de nós.
Eles, os tais sentimentos, são sentidos e vivenciados por cada um de nós. E esse cada um se demonstra pelo simples fato de sermos diferentes em nosso um (de nós) e sentirmos os sentimentos de maneira e intensidades distintas. Nos abrimos diversamente pro mundo, pra pessoas e pro novo ano. Mas ainda que não sintamos esse tão aguardado ano novo, há mesmo que sutil, uma mobilização que nos faz pensar sobre o que fizemos e não fizemos, conquistamos e não conquistamos, ganhamos e/ou perdemos. Os pontos que consideramos negativos (ao longo do tempo) se mostram ainda que momentaneamente, positivos. É a partir e através deles que entramos num grande processo de reflexão. Daquela que realmente nos mobiliza.
Nossas falhas e perdas mais do que qualquer coisa são os maiores aprendizados, e ao fugirmos delas fugimos de nós mesmos, pois tudo o que nos envolve e pelo que estamos envolvidos constitui o nosso eu. O eu em confluência com o novo e o velho, em abertura para o que desejamos e principalmente para o que não temos idéia de que virá. Sem negarmos algo que nos permita uma identidade ou identificação (que não possua semelhança com a aparência). Algo que se encontra velado em nós e se desvela ao passo que entramos em contato com o outro, com o novo, mas ainda assim se mantém em sua ocultação. Somos, um conjunto de novo-velho, velho-novo. Adquirimos ricamente o que o novo nos mostra, mas não deixamos de carregar um velho igualmente rico dentro de nós.
Que venham então anos novos e grandes mudanças. Mas que através de nossos atos de abertura da escuta para o todo, saibamos recolher. Fazendo através de nossas escolhas e atitudes, uma bela colheita.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

CONVITE

O importante é dar a palavra ao diálogo. Aos amigos, escrevam, porque pensar não é uma filosofia que se adote, mas um filosofar que se arrisca.

A QUESTÃO CENTRAL DE HEIDEGGER

(este é um esquema resumido de aula)

A QUESTÃO CENTRAL DE HEIDEGGER: ESQUECIMENTO DO SER
(ou esquecimento do velamento)

-
traço constitutivo do pensamento como metafísica;
-
questão central do pensamento de Heidegger;

Configuração Histórica da Metafísica como Onto-teo-logia:
-
Onto: Ser pensado como ente: determinável;
-
Teo: Este ente é causa e fundamento do real;
- Logia: discurso/razão: linguagem como instrumento de representação;


Antigüidade: Filosofia Antiga

Platão (ou platonismo): Ser como idéia;

Aristóteles (ou aristotelismo): Ser como enérgeia;

Medievo: Teologia

patrística (séc. II-VIII/Sto. Agostinho/ inf. platônica): Deus salvator

escolástica (séc. IX-XV/Sto. Tomás de Aquino/ inf. aristotélica): Deus creator

Modernidade: Filosofia e Ciência

Descartes (séc XVI): Sujeito racional: Res cogitans

Nietzsche (séc XIX): Sujeito volitivo: Vontade de Poder

Proposta Heideggeriana:

- Recuperar a questão do sentido do ser em sua Ambigüidade: presença-ocultante: fenomenologia.

- Libertar a linguagem de sua instrumentalidade, devolvendo-a à vigência poética (isto é, de instauração de sentido e verdade) mediante uma postura de escuta (Hermenêutica);

- Pensar a verdade fora dos eixos de representacão e de correção, mas sim na historicidade de um acontecimento (Ereignis);

- Isso retiraria o homem de sua posição determinante no centro do real, instaurando a possibilidade de compreensão do pensamento e da linguagem como um modo de ser, que é próprio ao homem, no sentido da habitação em que se dá sua existência (Da-sein), na medida em que a eles corresponde – fim do humanismo;

- Caminho: um passo-de-volta à um momento histórico em que o pensamento não se configurava metafisicamente, mas originariamente (Parmênides e Heráclito pensavam o originário: Physis), em busca não de um retorno, mas da possibilidade de, a partir do que não-foi pensado por eles (Ser como Ser, Linguagem como Linguagem), abrir novos caminhos ao pensamento que se encontra numa crise;


Leituras Básicas: 1. O que é isto, a Filosofia? – 2. Que é Metafísica? – 3. Sobre a Essência do Fundamento – 4. Sobre a Essência da Verdade – 5. Identidade e Diferença (em “Os Pensadores”) - 6. Logos – 7. Alétheia (em “Ensaios e Conferências)


Para quem entende inglês falado e se interessa pelo pensamento de Heidegger, abaixo os links para You Tube com o capítulo sobre Heidegger do especial da BBC, "Human, All too Human", em 6 partes.

PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 6